segunda-feira, 1 de dezembro de 2014

Das dúvidas e certezas

Hoje, depois de receber a carta das mãos do médico para internação, chorei copiosamente.
Não de emoção pelo nascimento da minha filha.
Infelizmente não.
Chorei pela solidão que está por vir, nos momentos mais importantes e difíceis da minha nova jornada como mãe.
Vou explicar.
Quando Malu nasceu, há 5 anos, éramos só eu e meu marido e o mundo todo a ser conquistado. Ficamos 4 dias no hospital, mas não estávamos preocupados com nada. Tínhamos um ao outro e o amor maior do mundo para oferecer a nossa pequena rebenta.
Depois fomos pra casa e, infelizmente (ou felizmente) meu marido foi demitido e ficamos mais tempos ainda juntinhos, no nosso ninho.
Mesmo com certa dificuldade financeira, aquele momento foi tão importante e tão especial para nós. Estávamos aprendendo juntos. Nós dois a sermos pai e Malu a ser filha.
Em nenhum momento ninguém se ofereceu para nos ajudar. Nem minha mãe, minha irmã, minha cunhada. Ninguém que já tinha tido filho e tinha alguma experiência se ofereceu para estar conosco naquele admirável mundo novo. Mas não importava. Tínhamos um ao outro.
Agora a história se repetirá. Mas não vai ser mais o mundo lindo. Vamos nos separar.
E minhas lágrimas foram pela separação. Pela divisão. Pela falta de ajuda - ninguém se ofereceu para nos ajudar, denovo - e agora não temos mais como ficarmos juntos, porque Malu não pode ficar no hospital, portanto eu ficarei sozinha para que meu marido possa ficar com nossa mais velha em casa.
E mesmo para conseguir ter meu marido comigo durante o parto tive praticamente que implorar para que alguém ficasse com a Malu. E é uma situação tão desagradável, tão desconfortável... quase humilhante.
Sim, tenho mãe. Não, ela não se ofereceu e ainda justificou que tem o outro neto pra cuidar.
Minha filha ficou parecendo um fardo que ninguém quer ter.
Ela não é deficiente, não tem autismo (graças a Deus), nem nenhuma deficiência que dificulte ficar com ela por uns dias.
Ela é esperta, educada e muito independente.
Mas até hoje, dez dias antes do parto, nem os avós, nem os tios entraram em contato para dizer "pode deixá-la comigo".
Por isso, ao receber aquele papel uma dor terrível tomou conta de mim.
Aquele papel estava me dizendo que está chegando o dia em que minha família se dividirá em duas.
De um lado eu e Nina no hospital.
De outro, meu marido e Malu em casa.
E não, eu não estou feliz.
Porque aquele papel comprova que minha família não é uma família de verdade. Ninguém está lá pra ajudar ninguém e cada um pensa em si acima dos demais.
Minha mãe é a que mais me dói. Porque é minha mãe.
Ainda vou chorar demais até essa bebezinha nascer.
Mas tenho Fé que isso nos fortalecerá e nos unirá ainda mais.

Nenhum comentário:

Postar um comentário