quarta-feira, 8 de outubro de 2014

Ciúmes

Passei 4 anos ouvindo minha filha pedir uma irmã (tinha que ser irmã! Irmão não servia).
E passei 4 anos inventando desculpas para negar o pedido.
Até que em agosto do ano passado decidimos tentar denovo. Fui no meu médico e tirei o DIU. Depois foi só tentar e esperar, tentar e esperar, tentar e... em março desse ano finalmente aconteceu.
Ainda lembro a carinha dela quando eu e o pai sentamos ao seu lado e dissemos: "você vai ter um irmãozinho"... Malu, do alto de seus quase 5 anos desacreditou: "vocês estão brincando, né?"
Achei engraçadinho, mas compreensível. Afinal, passamos anos dizendo não ao pedido dela, nada mais natural que duvidar.
E ela só acreditou quando a levamos no primeiro ultrassom e ela ouviu o coraçãozinho do bebê.
Sim, ela acabara de ser promovida a irmã mais velha.
E daí começaram os mimos: "Mamãe, deixa que eu faço isso pra você. Você está grávida!"
As pessoas me perguntavam sobre ciúme e algumas, maldosas, até tentavam provocar isso na Malu dizendo que ela perderia o posto de princesinha da casa. Eu sempre deixei minha filha confiante de que ela jamais perderia nada, pelo contrário, ganharia um amigo, um companheiro para toda vida.
Quando soubemos que seria outra menina ela fez festa. Amou a ideia. Era um sonho que se realizava.
Mas na última semana tenho notado um certo ciuminho crescendo no coração da minha pequena... um dia eu vi o quarto todo desarrumado (e lá em casa não tem dessas...) e mandei ela desligar a televisão e arrumar aquela bagunça... foi então que, com cara de brava e batendo o pé ela desligou a tv e seguiu pelo corredor rumo ao quarto, resmungando: "quando a neném nascer eu vou embora"
Aquilo cortou meu coração... abaixei na altura dela e perguntei porque ela disse aquilo e ela deu com os ombros.
"Quando você tiver um novo neném eu sei que você vai me mandar embora"
Claro que eu conversei com ela, expliquei que isso jamais aconteceria e que o bebê não viria roubar o lugar dela. Expliquei também que não é porque ela se sentia assim que estaria desobrigada das tarefas. A vida era a mesma, só que com um bebê.
Mas ela repetiu, em outras ocasiões, a mesma coisa.
Toda vez que leva uma bronca, ela repete o mantra de que vamos mandá-la embora porque ela é desobediente.
E eu não sei mais o que fazer para mostrar para minha filhota que ela não precisa se preocupar.
Se alguém passou por isso, me ajuda, porque me parte o coração ver minha filha dizer isso.

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